Terça-feira, Setembro 12, 2006

A space between silence

Fotografia de Alaya

Sinto-me um iminente retalho em espiral. Feito pirâmide de cintilantes ossos. Repara. Culmino num coração que já não passa de uma calosidade. Feito de beijos que já não sabem ser. Abro as mãos e vejo que já não há a ondulação do mar nas suas linhas, nem a espuma da maré descansa na ponta dos dedos. Estou lucidamente morta. Cega. Cegueira cercada de um esplendor que já não sei ver. O líquido olhar resvalou pela salgada pele de ventos de desencanto.
Encontro-me. Nómada até aos ossos. Sigo pela escuridão em que aportei apesar de ininteligíveis iluminações cantarem melodias lá fora. Lamento os trilhos percorridos por passos de tão desencontradas emoções. Dói. Dói desatar o silêncio antecipado longe da incendiada paixão dos nocturnos tigres.