Confissão
Hoje está um belo dia para deixar as asas em casa e derreter o peito na tristeza do sol. Deixar que as lágrimas secas irrompam e deixem de pesar. Chorar palavras em catadupa. Libertar pensamentos desconcertados. Desfragmentar cada feixe de luz. Um a um, torná-los monocromáticos como o batimento que ecoa dentro do vazio de quem já não sabe ver. Lento. Lento. Apenas quer ouvir-se no ressoar de estilhaços cortantes.
Quero arrancá-los da garganta.
Sufocam-me o sorriso que trago ao peito.


