A space between silence
Sinto-me um iminente retalho em espiral. Feito pirâmide de cintilantes ossos. Repara. Culmino num coração que já não passa de uma calosidade. Feito de beijos que já não sabem ser. Abro as mãos e vejo que já não há a ondulação do mar nas suas linhas, nem a espuma da maré descansa na ponta dos dedos. Estou lucidamente morta. Cega. Cegueira cercada de um esplendor que já não sei ver. O líquido olhar resvalou pela salgada pele de ventos de desencanto.
Encontro-me. Nómada até aos ossos. Sigo pela escuridão em que aportei apesar de ininteligíveis iluminações cantarem melodias lá fora. Lamento os trilhos percorridos por passos de tão desencontradas emoções. Dói. Dói desatar o silêncio antecipado longe da incendiada paixão dos nocturnos tigres.


18 Comments:
ó caríssima M. adorei o que escreveste, só não adorei o que senti que emanava de ti, amanhã falamos amiga
beijocas
É quase Outono e já chove e chove dentro de nós e nós sentimos a chuva e nós sabemos que vai ser assim sempre e ainda mais agora porque chove.
Beijo:)
Gostei do teu espaço...voltarei.
Silêncio cindido pela distância dos dias. Silêncio imposto pela noite onde se desencontraram sentidos. Apenas a tristeza agora vive onde antes existiu a ilusão.
Um beijo
Diz-me, em que bar gó é que eu te posso encontrar na próxima sexta à meia noite? E como é que te reconheço? Um ankh invertido? Ou uma cruz céltica? Cicatrizes de tentativa de suícidio no pulso direito ou esquerdo? É que estou apaixonado pela tua profundidade! Um beijo de sangue azul...
Não lamentes e não desates o silêncio. Pelo contrário, ata-o e deita-o ao rio.
quase um mês sem ti
sem te ler
mais tempo sem te ouvir
até quando, amiga?
dá notícias, por favor
beijinhos,
alice
Desde que te li da primeira vez sinto que as tuas palavras são a expressão dos meus sentimentos. As tuas mãos escrevem o que sinto e não sei dizer. És cheia de luz embora te sintas sombra.
Obrigada por te partilhares e, com isso, me encontrares.
Um beijo
A paixão dos tigres não é para todos... e, com toda a certeza, não é para meninas escritoras.
O texto tem belíssimas imagens, mas diria que são todas «demasiado literárias», funcionam porque o seu contexto é muito forte, chama-se literatura ocidental... Não fales só do sangue suposto, ou afectivo... vai à procura do sangue, do que há, daquele que cheira mal... e depois volta... e escreve, então, sobre o abismo.
miúda, tu escreves maravilhosamente bem.
estou encantada com as tuas palavras.
um beijo bom:
luna
Belíssimo este texto!
O que é feito de ti?
Hearing the music, and looking the mood of your blog, i couldn't resist.
Is really beautiful!
On the journey...
E o vento, onde anda?
...o que alimenta as marés não saõ os ventos...e a certeza que após a maré rasa haverá maré cheia é inequivoca..um abraço
desata esse silêncio...
um doce e feliz fim de semana
Dói. Dói mais ainda pela crueza e veracidade das palavras que reflectem uma incapacidade que transcende tudo e que existe mesmo contra a vontade de quem tanto quer.
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