Terça-feira, Setembro 12, 2006

A space between silence

Fotografia de Alaya

Sinto-me um iminente retalho em espiral. Feito pirâmide de cintilantes ossos. Repara. Culmino num coração que já não passa de uma calosidade. Feito de beijos que já não sabem ser. Abro as mãos e vejo que já não há a ondulação do mar nas suas linhas, nem a espuma da maré descansa na ponta dos dedos. Estou lucidamente morta. Cega. Cegueira cercada de um esplendor que já não sei ver. O líquido olhar resvalou pela salgada pele de ventos de desencanto.
Encontro-me. Nómada até aos ossos. Sigo pela escuridão em que aportei apesar de ininteligíveis iluminações cantarem melodias lá fora. Lamento os trilhos percorridos por passos de tão desencontradas emoções. Dói. Dói desatar o silêncio antecipado longe da incendiada paixão dos nocturnos tigres.

18 Comments:

Blogger JMB a.k.a. GIRASSOL said...

ó caríssima M. adorei o que escreveste, só não adorei o que senti que emanava de ti, amanhã falamos amiga
beijocas

13 Setembro, 2006 02:20  
Blogger Abssinto said...

É quase Outono e já chove e chove dentro de nós e nós sentimos a chuva e nós sabemos que vai ser assim sempre e ainda mais agora porque chove.

Beijo:)

13 Setembro, 2006 21:14  
Blogger sentidos said...

Gostei do teu espaço...voltarei.

16 Setembro, 2006 15:52  
Anonymous Dark Shot said...

Silêncio cindido pela distância dos dias. Silêncio imposto pela noite onde se desencontraram sentidos. Apenas a tristeza agora vive onde antes existiu a ilusão.

Um beijo

22 Setembro, 2006 10:33  
Anonymous pataphisico_azul said...

Diz-me, em que bar gó é que eu te posso encontrar na próxima sexta à meia noite? E como é que te reconheço? Um ankh invertido? Ou uma cruz céltica? Cicatrizes de tentativa de suícidio no pulso direito ou esquerdo? É que estou apaixonado pela tua profundidade! Um beijo de sangue azul...

24 Setembro, 2006 21:19  
Blogger Silvia said...

Não lamentes e não desates o silêncio. Pelo contrário, ata-o e deita-o ao rio.

30 Setembro, 2006 01:03  
Blogger alice said...

quase um mês sem ti

sem te ler

mais tempo sem te ouvir

até quando, amiga?

dá notícias, por favor

beijinhos,

alice

04 Outubro, 2006 11:53  
Blogger Princesa* said...

Desde que te li da primeira vez sinto que as tuas palavras são a expressão dos meus sentimentos. As tuas mãos escrevem o que sinto e não sei dizer. És cheia de luz embora te sintas sombra.
Obrigada por te partilhares e, com isso, me encontrares.
Um beijo

10 Outubro, 2006 12:52  
Blogger Lord of Erewhon said...

A paixão dos tigres não é para todos... e, com toda a certeza, não é para meninas escritoras.
O texto tem belíssimas imagens, mas diria que são todas «demasiado literárias», funcionam porque o seu contexto é muito forte, chama-se literatura ocidental... Não fales só do sangue suposto, ou afectivo... vai à procura do sangue, do que há, daquele que cheira mal... e depois volta... e escreve, então, sobre o abismo.

16 Outubro, 2006 16:17  
Blogger lunapensativa said...

miúda, tu escreves maravilhosamente bem.

estou encantada com as tuas palavras.

um beijo bom:

luna

17 Outubro, 2006 15:38  
Blogger Lord of Erewhon said...

Belíssimo este texto!

15 Novembro, 2006 18:14  
Blogger Silvia said...

O que é feito de ti?

23 Novembro, 2006 11:53  
Blogger A's Journey said...

Hearing the music, and looking the mood of your blog, i couldn't resist.

Is really beautiful!

On the journey...

17 Fevereiro, 2007 13:37  
Blogger Rui said...

E o vento, onde anda?

10 Maio, 2007 21:46  
Blogger cm said...

...o que alimenta as marés não saõ os ventos...e a certeza que após a maré rasa haverá maré cheia é inequivoca..um abraço

15 Junho, 2007 08:51  
Blogger cm said...

desata esse silêncio...

25 Junho, 2007 12:41  
Blogger cm said...

um doce e feliz fim de semana

06 Julho, 2007 13:12  
Blogger lamia said...

Dói. Dói mais ainda pela crueza e veracidade das palavras que reflectem uma incapacidade que transcende tudo e que existe mesmo contra a vontade de quem tanto quer.

13 Agosto, 2007 15:31  

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